Pirâmide / Pyramid
2009 – video, 10′ 11″
SUBIR E DESCER / GO UP AND GO DOWN
2009 – performance
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Max F. – Estava a tentar escrever algo para acompanhar a apresentação destes vídeos…
Alberto G. – E então…!
M. – No momento em que editava os vídeos apontei o meu pensamento…
A. – Então diz o que escreveste.
M. – Escrevi assim: “Escrever a palavra vídeo no timeline não assenta apenas no conceptual, longe disso, permite uma transformação na forma de trabalhar o Vídeo. O conceptual não interessa por si só, ele possibilita dar mais importância à edição e permite desvalorizar a imagem pela imagem… Neste caso específico são as reimagenâncias que formam as palavras, e não o oposto, onde vulgarmente a palavra fornecia um caminho para a imagem.” Também apontei o título possível para este projecto.
A. – E qual era?
M. – “Podia Dizer-te Mas Lembrei-me de Quanto a Verdade Já Não Interessa”. Este título e estes vídeos foram feitos enquanto persistia no meu pensamento tentar afastar-me de um trabalho conceptual. Este título evitava a utilização do título como guia conceptual para a interpretação.
A. – Mas responde-me a uma coisa, porquê que não utilizas esse título, mas apresentas os vídeos como “Desenhos Na Linha-do-Tempo”?
M. – Há várias questões no meio dessa decisão. Mas como síntese digo, afinal, a verdade pode interessar!
A. – Será que se trata de um receio em não acreditares na herança que te chegou através da arte?
M. – Não sei bem, mas acho mais confortável para já avançar com esta apresentação, embora o projecto tenha avançado pela distância que queria estabelecer com a arte conceptual.
A. – Max, não achas que mesmo trabalhando com o primeiro título, todo o trabalho tem um relacionamento endémico com o que é a arte conceptual? Isto porque trabalhas com a palavra, numa acção, com um medium, e depois ias ocultar apenas o processo que utilizaste para este trabalho. Não achas que isso é não ser honesto com o que defendes ou descreves como processo para estes vídeos?
M. – Talvez tenhas razão… Mas, a arte conceptual não tem limites?
A. – Talvez tenha…
G. Jonas – Estava aqui a ouvir a vossa conversa, e acho que a estão a desviar…
A. – … do que interessa?! Enganas-te!
G. J. – … do…
M. – Eu só disse que quando estava a trabalhar nestes vídeos me acompanhava o pensamento de me desviar da arte conceptual, não disse que queria ignorá-la. Além disso, eu referi que o trabalho só fica a ganhar se se apoiar no acto de escrever ou desenhar na linha-do-tempo, pois vai para além da simples posição conceptual. A honestidade reflexiva está presente de uma forma ou de outra.
G. J. – “Linha-do-tempo”?
M. – Sabes que quando imaginas uma letra ou uma palavra imagina-la como um todo, e isso é diferente da leitura de um vídeo, progressivamente contínua.
G. J. – Dessa forma vejo a linha-do-tempo como um espaço para desenhares, como a “Pirâmide”, um dos vídeos que ainda não publicaste, em que utilizas o mesmo método…
M. – Embora, nesse caso, seja um pouco diferente, por não desenhar a palavra…
A. – Hum!
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Com Duas Coisas Especiais, E Escolheste A Primeira!
From Two Special Things, And You Have Chosen The First One!
2009 – em projecto
2009 – in project
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Antes de surgir este vídeo, havia um objectivo que era chegar ao ponto mais alto do atelier. O vídeo que surgiria dessa acção teria como título precisamente a própria acção “Até Ao Ponto Mais Alto do Atelier”. Nesse momento, o objectivo transformara-se numa obstinação desvariada. Não sabia como o fazer. Na prática, bastaria subir para uma cadeira ou subir por uma escada, e, conceptualmente, já teria atingido o objectivo primordial. Mas para transformar esta acção num vídeo, decidi construir um sistema para realizar uma viagem até ao cimo do atelier. Os recursos utilizados foram várias roldanas alimentadas por um sistema mecânico arcaico. A certa altura, o processo já obrigara a despender mais energias a resolver os problemas mecânicos do que na obra propriamente dita. Na conclusão, a máquina de filmar nunca chegou ao topo do atelier. E, não tentei outro sistema para atingir o cume. O vídeo ficou em loop, numa viagem em contínuo.
Before this video being made, there was a goal of reaching the highest point of the studio. The video which would result of that particular action would be entitled precisely as the action itself “Up to the Highest Point in the Studio”. At that moment, the goal had become in to a batly obstinacy. I didn’t know how to do it. In practice, I would only need a chair or a ladder and, conceptually, I would have reached the primordial goal. But, to transform this action on a video, I decided to build a way/system to make a trip to the top of the studio. The resources used were: several fed by an archaic mechanical system. At that point, the process had already forced me to use a lot more energy to solve the mechanical problems than the piece itself. To conclude, the video camera never reached the top of the studio. And as I never tried another away the video stayed in loop, on a continuous trip.
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