Desenhos na Linha-Do-Tempo / Drawings In The Timeline


V
2009 – 3′ 09”


I
2009 – 0′ 55”


D
2009 – 3′ 03”


E
2009 – 2′ 17”


O
2009 – 2′ 39”

Max F. – Estava a tentar escrever algo para acompanhar a apresentação destes vídeos…
Alberto G. – E então…!
M. – No momento em que editava os vídeos apontei o meu pensamento…
A. – Então diz o que escreveste.
M. – Escrevi assim: “Escrever a palavra vídeo no timeline não assenta apenas no conceptual, longe disso, permite uma transformação na forma de trabalhar o Vídeo. O conceptual não interessa por si só, ele possibilita dar mais importância à edição e permite desvalorizar a imagem pela imagem… Neste caso específico são as reimagenâncias que formam as palavras, e não o oposto, onde vulgarmente a palavra fornecia um caminho para a imagem.” Também apontei o título possível para este projecto.
A. – E qual era?
M. – “Podia Dizer-te Mas Lembrei-me de Quanto a Verdade Já Não Interessa”. Este título e estes vídeos foram feitos enquanto persistia no meu pensamento tentar afastar-me de um trabalho conceptual. Este título evitava a utilização do título como guia conceptual para a interpretação.
A. – Mas responde-me a uma coisa, porquê que não utilizas esse título, mas apresentas os vídeos como “Desenhos Na Linha-do-Tempo”?
M. – Há várias questões no meio dessa decisão. Mas como síntese digo, afinal, a verdade pode interessar!
A. – Será que se trata de um receio em não acreditares na herança que te chegou através da arte?
M. – Não sei bem, mas acho mais confortável para já avançar com esta apresentação, embora o projecto tenha avançado pela distância que queria estabelecer com a arte conceptual.
A. – Max, não achas que mesmo trabalhando com o primeiro título, todo o trabalho tem um relacionamento endémico com o que é a arte conceptual? Isto porque trabalhas com a palavra, numa acção, com um medium, e depois ias ocultar apenas o processo que utilizaste para este trabalho. Não achas que isso é não ser honesto com o que defendes ou descreves como processo para estes vídeos?
M. – Talvez tenhas razão… Mas, a arte conceptual não tem limites?
A. – Talvez tenha…
G. Jonas – Estava aqui a ouvir a vossa conversa, e acho que a estão a desviar…
A. – … do que interessa?! Enganas-te!
G. J. – … do…
M. – Eu só disse que quando estava a trabalhar nestes vídeos me acompanhava o pensamento de me desviar da arte conceptual, não disse que queria ignorá-la. Além disso, eu referi que o trabalho só fica a ganhar se se apoiar no acto de escrever ou desenhar na linha-do-tempo, pois vai para além da simples posição conceptual. A honestidade reflexiva está presente de uma forma ou de outra.
G. J. – “Linha-do-tempo”?
M. – Sabes que quando imaginas uma letra ou uma palavra imagina-la como um todo, e isso é diferente da leitura de um vídeo, progressivamente contínua.
G. J. – Dessa forma vejo a linha-do-tempo como um espaço para desenhares, como a “Pirâmide”, um dos vídeos que ainda não publicaste, em que utilizas o mesmo método…
M. – Embora, nesse caso, seja um pouco diferente, por não desenhar a palavra…
A. – Hum!

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